Subscribe:

sábado, 5 de março de 2011

A 4 de Março

No nosso país, para numa dada construção se fazerem obras de fundo, remodelações ou algo similar, é necessário que essa obra acabe por ruir e se possível (para se reconstruir mesmo rapidamente) com a ruína leve também algumas vidas humanas.
Foi isto que aconteceu no domingo dia 4 de Março de 2001 na ponte Hintze Ribeiro em Entre-os-Rios, Castelo de Paiva.
O tabuleiro da ponte que um organismo com essa competência estimou que tivesse duração máxima de vida de 100 anos e que àquela data contava com 116, cedeu, e com ele levou 59 pessoas, 36 das quais nunca foram devolvidas pelas águas.
Foi há 10 anos e todos nos lembramos da tristeza e folclore político que ali se seguiu até acabar na absolvição do Estado e com 50 mil euros de indemnização por cada familiar perdido.
Mas custa ouvir como eu ouvi uma senhora dizer que naquele acidente perdeu: a filha, o genro, o neto, a neta, a irmã e o cunhado e só se arrepende de não ter ido naquela viagem. Haverá no mundo dinheiro que pague tão grande dor?
E filhos perderam os pais e pais perderam filhos.
E neste empurrar de culpas entre estado, laboratórios técnicos, familiares das vítimas e sr. presidente da Câmara de Castelo de Paiva se passaram anos e se construiu uma ponte nova.

Esta semana, um amigo meu perguntou-me: "Então não falas do avanço no processo Rui Pedro?"
Então eu tenho a dizer: avanço?mas qual avanço? Acusar ao fim de 13 anos o único e principal suspeito do desaparecimento de Rui Pedro Mendonça a 4 de Março de 1998 em Lousada, é avanço? Em Portugal, de certeza.

0 comentários:

Enviar um comentário