Escuso-me para já a comentar os conflitos emergentes no Egipto e países vizinhos de cultura árabe até á Jordânia.
Os governantes da metrópole e os governantes que nas "Áfricas" viviam, achavam-se donos daquela terra e pior, daquelas pessoas a quem durante tantos anos negaram a própria dignidade.
Também não quero debruçar-me sobre a opinião descabida do PM inglês acerca do multiculturalismo e menos ainda me apetece dizer o que penso da suposta futura captura de George W. Bush.
Tampouco sei se devo falar sobre o que me apetece, até porque tudo o que direi não é de experiência própria mas quase.
Cumpriram-se há escassos dias 50 anos sobre o ínico da Guerra Colonial.
Essa guerra que opôs as forças armadas dos brancos aos nativos africanos.
Essa página negra da história recente de Portugal.
Não sei se a descolonização podia ter sido de outra forma, mas sei que aquela que eles encontraram foi como atirar um homem para a boca do leão.
Os governantes da metrópole e os governantes que nas "Áfricas" viviam, achavam-se donos daquela terra e pior, daquelas pessoas a quem durante tantos anos negaram a própria dignidade.E assim começaram os confrontos entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias ultramarinas Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.
Mas pior do que os motivos que desencadearam o conflito, está a forma como ele foi gerido.
Anos consecutivos em que marcharam para as colónias jovens homens portugueses que deixaram famílias inteiras num vale de lágrimas para defender uma causa que não eram sua e posicionar-se em tês teatros de operações.
Muitos desses homens não mais voltaram. Muitos.
Alguns desses homens deixaram família própria construída e filhos de escassos meses que nunca os conheceram.
Alguns desses homens deixaram viúvas de 19 e vinte e poucos anos que não mais voltaram a amar. Como é possível este amor?
Algumas dessas viúvas receberam do marido apenas a aliança porque o Sr. Prof. António de Oliveira Salazar não autorizou a transladação do corpo…
Quem sobreviveu e voltou para a sua terra vive atormentado numa memória infernal que não os larga.
Homens a quem a Guerra mudou toda uma vida e levou a alegria.
E para quê?
Nada.
Deixámos as colónias que á época tinham muito mais qualidade de vida e onde se comercializavam produtos proibidos em Portugal (ex: Coca-Cola) e deixámos aqueles países riquíssimos em recursos naturais, incapazes de auto-governo e/ou democracia para vivermos sorumbaticamente neste rectângulo á beira mar plantado na cauda da UE.
Podíamos ter aprendido alguma coisa e ter feito algo mais em prole do interesse político e económico. Tínhamos o exemplo bem sucedido da Commonwealth cujos países reconhecem o monarca do Reino Unido como chefe de Estado e da Gronelândia que continua a ser parte do reino da Dinamarca. Mas não, perdemos, saímos e com o tempo todos os anéis se foram. Mesmo Timor, mesmo Macau que se preparou com tanta antecedência.
E ficaram os dedos raquíticos e encarquilhados de artrite.
E na Índia, tão depois de Goa, Damão e Diu ainda se lembram dos portugueses. Devem rezar-nos na pele, mas…



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